Sobre a centralização de mídias sociais

A Internet trouxe um problema peculiar. A humanidade sempre produziu muito conteúdo – dentre livros, peças, músicas, etc –, mas nem sempre tivemos tanta possibilidade de acesso. Afinal, já foram escritos cerca de 130 milhões de livros (muito mais do que qualquer pessoa poderia ler na sua vida), além de centenas de milhares de filmes só no IMDb, entre tantas formas de conteúdo a que podemos ter acesso. Mas com as centenas de horas de vídeos enviadas ao Youtube todo minuto, com os milhares de tweets por segundo, e tantas outras plataformas, a diferença é que é possível acessá-los instantaneamente. Além disso, a facilidade de acessar qualquer conteúdo na Internet é relativamente próxima – basta saber onde encontrá-la.

Enquanto no passado o acesso a novos conteúdos se baseassem nas recomendações pessoais, ou em publicações especializadas, ou na simples deriva ao longo de novos lançamentos, hoje isso já não é mais possível.

De uma forma ou de outra, das tantas organizações que existem em torno da Internet, conseguimos encontrar algum tipo de solução. São aquelas tão chamados algoritmos das redes sociais. Onde há oportunidades e meios de se lucrar, o mercado não tarda a preencher a vaga. Se a quantidade de conteúdo disponível hoje é muito maior do que qualquer ser humano poderia manualmente filtrar, colocamos as máquinas para fazê-lo.

A pergunta do porquê emergiram as grandes redes sociais, ou porque esses algoritmos tomaram conta da distribuição de conteúdo são perguntas demasiado complexas para serem discutidas num post. Mas o fato é muita gente tem sua interação com grande parte do conteúdo gerado na Internet mediada por softwares escritos por um pequeno número de agentes.

E vale a pena pontuar que esses programas não ocupam apenas o espaço que lhes caberia para resolver o conteúdo. Afinal, uma vez que se conheça uma fonte de conteúdo interessante (uma banda, autor, youtuber ou personalidade pública), é de se esperar que a tecnologia necessária para acompanhar os novos conteúdos é não mais complexa do que um leitor de RSS. Mas os algoritmos das plataformas que foram mencionadas também cuidam dessa relação. Uma “assinatura” no Youtube, por exemplo, é muito menos uma assinatura no sentido antigo das revistas e jornais e mais uma recomendação ao algoritmo do que pode te interessar1. Esse poder é tremendo, porque agora os algoritmos – e, verdadeiramente, as empresas – tem o poder unilateral de influenciar o que bilhões de pessoas acessam ou não acessam. E isso sem absolutamente nenhuma transparência.

Mas se essa é a realidade em que vivemos, como poderíamos combater essas distorções? Existem soluções de grande escala – análogas a qualquer combate ao poder excessivo de grandes organizações. Mas também existem soluções individuais. Por exemplo, eu mesmo tento desviar da influência dos algoritmos isolando os contextos em que podem interferir na minha relação com criadores de conteúdo. Faço isso usando um leitor de RSS, que efetivamente desacopla as etapas de descobrimento de conteúdo daquela do consumo do conteúdo. Enquanto ainda vejo as recomendações do Youtube, acompanho os canais que assino usando o tal leitor. Assim, esquivo o filtro do algoritmo2.

Além disso, é possível buscar usar serviços que preservem a sua privacidade, como o DuckDuckGo ao invés do Google. Dessa forma, o seu histórico de navegação não é usado para orientar os algoritmos a te oferecer conteúdo, evitando assim alguns efeitos de bolha.

Algumas soluções parcialmente sociais envolvem o uso de plataformas descentralizas. O isolamento é uma das formas que as grandes plataformas de conteúdo mantém o seu poder. Apesar de estar quase inteiramente insatisfeito com o Facebook, ainda o acesso – porque é lá que está toda a minha rede e é lá que publicam as páginas que acompanho. Se o conteúdo do Facebook fosse acessível de outras redes sociais, provavelmente já teria trocado para uma das inúmeras pequenas alternativas que existiriam. Parece estranho? Bom, não consideramos estranho que seja possível mandar e-mails para pessoas que não usam o mesmo cliente de e-mail que nós. Posso usar o Thunderbird, ou o Outlook, ou o Gmail, mas ainda assim posso me comunicar com qualquer pessoa que use qualquer outro desses softwares, pois todos usam os mesmos protocolos.

Plataformas como Whatsapp, Telegram, ou redes sociais como as já mencionadas, retiram a mobilidade dos usuários ao tornarem a mudança para outro serviço não mais uma decisão individual, mas sim um problema de coordenação. Afinal, não faz sentido sair da plataforma em que toda a sua rede está – seria necessário que toda a rede saísse. Isso parece impossível.

Mas existem alternativas – descentralizadas, abertas – que, embora exijam tal coordenação para uma mudança, depois disso eliminariam esse problema ao todo. O conjunto de protocolos Matrix, por exemplo, permite comunicação “segura, decentralizada, em tempo real”, que, analogamente ao e-mail, tem suporte a múltiplos servidores, que por sua vez podem ter suporte a múltiplos clientes. Isso é conhecido como arquitetura federada. Caso um desses provedores (donos dos servidores) tenha políticas de privacidade questionáveis, ou por ventura um algoritmo de recomendação tendencioso, é possível mudar para outro provedor – mas mantendo o acesso a todo o conteúdo que se tinha antes; todos os posts das mesmas pessoas, todas as publicações das mesmas páginas.

Isso tudo não é nada novo. Já existem tecnologias desse tipo a muito tempo. Os próprios blogs são uma coisa do tipo, embora não tenham a conveniência de não precisas criar um site próprio, e não estejam integrados numa mesma base de dados estruturada pesquisável. Mas redes sociais como a Usenet já existem desde os anos 70, com muitas das funcionalidades que esperamos de redes sociais hoje.

Afinal, as soluções seriam as seguintes:

  • Ser mais seletivo sobre o conteúdo que se consome (para ter uma quantidade manejável).

  • Usar um leitor de RSS.

  • Mudar as configurações nas plataformas para diminuir a influência dos algoritmos, quando possível. Por exemplo, ao invés de ver as recomendações, ou os conteúdos mais relevantes num feed, prefira ver as suas assinaturas, ou os conteúdos mais recentes.

  • Usar serviços de descoberta de conteúdo distintos das plataformas onde os conteúdos estão hosteados. Por exemplo, ao escolher os seus próximos seriados, busque revistas ou sites especializados.

Um bônus é que esse tipo de plataforma descentralizada também acaba com o problema comum de pessoas abusando desses algoritmos3. Uma corrida armamentista um tanto ridícula que só existe porque nossos sistemas concentram o poder de decisão e, portanto, apresentam pontos únicos de falha.

  1. Veja este video do canal Veritassium, ao redor da marca dos 11:15, em que ele explica brevemente como funciona esse mecanismo. Recomendo, no entanto, o video inteiro. 

  2. O mesmo video citado anteriormente também elabora sobre esse assunto. 

  3. O canal SmarterEveryDay tem um video dedicado a explorar essa ideia. 

A arte informa a vida

Há muito que eu gosto na arte da tipografia. Umas dessas coisas é a sua filosofia, a sua postura em relação ao mundo. É uma arte um tanto distinta das outras, talvez mais conhecidas. A filosofia da tipografia contrasta com a filosofia de outras artes.

A tipografia é uma arte reverente e ligada a tradições. É uma arte que primariamente serve. Trás um senso de responsabilidade – responsabilidade com o texto, com o autor e o leitor. Boa tipografia é aquela que melhor auxilia a obra a dizer o que pretende dizer, tendo em mente as intenções do autor e as expectativas do leitor.

Por isso que a tipografia não pode ser feita do zero. Existem certas tradições que funcionam como códigos, e que guiam a leitura. Por exemplo, o fato de que lemos (em português) da esqueda para a direita, de cima para baixo. Ou ainda, mais sutilmente, que esperamos que novos parágrafos tenham a sua primeira linha indentada. Não é muito fácil fugir dessas tradições e chegar num resultado melhor – o que difere muita da história de outras artes.

Como Jan Tschichold coloca:

O trabalho de um designer de livro difere essencialmente do de um artista gráfico. Este está buscando constatemente novos meios de expressão, levado ao extremo pelo desejo de ter um “estilo pessoal”. Um designer de livro deve ser um servidor leal e fiel da palavra impressa. É sua tarefa criar um modo de apresentação cuja forma não ofusque o conteúdo e nem seja indulgente com ele. […] O objetivo do artista gráfico é a auto-expressão, ao passo qe o designer do livro responsável, consciente de sua obrigação, despoja-se dessa ambição. O design de livro não é campo para aqueles que desejam “inventar o estilo de hoje” ou criar algo “novo”. […] Ser “novo” e surpreendente é a meta dos publicitários. (Tschichold 2007, 31)

Essa dicotomia – entre a filosofia “tradicional” da tipografia e a filosofia “inovativa” de outras artes – é aplicável não só no mundo das artes gráficas. Alias, acredito que se aplique ao mundo da tecnologia da informação.

Isso porque muitos dos esforços que existem hoje em desenvolvimento de tecnologia da informação incorporam um certo estilo de rejeição a tudo que veio antes. Seja a pesquisa em inteligência artificial}, em blockchains e tecnologias distribuídas1, ou em alguns rincões do desenvolvimento de software (mais a seguir). É interessante ter em mente, como coloca Tschichold, que “destruir alguma coisa velha e substituí-la por alguma coisa nova, esperando que ela se firme, só faz sentido se, primeiro, houver necessidade disso e, segundo, se o novo artifício for melhor que o antigo” (Tschichold 2007, 136).

É claro que a tipografia não é estática. Afinal, muitas coisa mudou nos últimos séculos, desde a prensa de Gutenberg até a tipografia digital. Mas, “embora não seja imune à mudança”, a tipografia “é basicamente imune ao progresso” (Bringhurst 2018, sec. 9.6). Bringhurst elabora essa ideia de que a tipografia pode deve ser preservada, o que significa olhar ao mesmo tempo para frente e para trás:

A tipografia é um ofício antigo e uma velha profissão, bem como uma fonteira tecnológica permanente. É também uma espécie de custódia. O léxico e as letras do alfabeto de um povo – cromossomos e genes da cultura letrada – ficam sob os cuidados do tipógrafo. Preservar o sistema significa bem mais do que meramente comprar as fontes mais novas lançadas peas fundições digitais ou as últimas atualizações dos programas de composição tipográfica. […] Preservar o sistema significa estar aberto às surpresas e às dádivas do futuro, mas também significa manter o futuro em contato com o passado.

Essa ideia de “preservar o sistema” é as vezes ignorada, quando se trata de inovação. Lembrei de tudo isso quando li um outro texto, não relacionado, entitulado Git is already federated & decentralized [Git já é federado & descentralizado]. Git, sendo um software livre, feito especificamente para que várias pessoas possam colaborar de forma organizada em um projeto – e considerando que trabalha com cópias locais de arquivos –, é o tipo de programa ideal para descentralização.

Há muita gente que acredita que o Git é, de fato, centralizado. Isso veio a tona na época da compra do GitHub pela Microsoft, quando começou-se a discutir a ideia de que se deveria descentralizar o git, apresentando mirabolantes novas tecnologias e soluções para chegar a isso. O problema: git já é descentralizado (DeVault 2018).

Sim, é verdade que muita gente tem uma experiência centralizada com o git, usando plataformas como o GitHub. Mas isso não significa que a tecnologia seja essencialmente centralizada. Como DeVault (2018) descreve, “git já é federado e descentralizado”, usando listas de distribuição de email ao invés de uma plataforma central.

E é interessante pensar que essa tecnologia não é nova, nem de longe. Isso significa, entre outras coisas, que é muito melhor estabelecida e conhecida.“Não só email é melhor, mas também é mais fácil de implementar. Ferramentas de programação para email já são muito maduras” (DeVault 2018).

Então, se já existe uma solução para o problema do git centralizado, porque inventar uma nova? A pura vontade de algo novo e brilhante não compensa, porque tecnologias novas tendem a ser menos compatíveis com as que já usamos, e envolvem toda uma carga de trabalho para desenvolver ferramentas. Lembremos: “destruir alguma coisa velha e substituí-la por alguma coisa nova […] só faz sentido […] se o novo artifício for melhor que o antigo.”


Meu ponto não é defender que devemos nos apegar ao passado, ou rejeitar todo tipo de inovação. Longe disso. Mesmo dentro da tipografia, não seria viável que ainda a praticássemos como no século XV, com prensas manuais e tipos fundidos em metal. Mas ainda assim, há muito que se aproveitar nas tecnologias do passado. Não quero argumentar que resistamos a todo tipo de mudança e que sigamos cegamente as palavras dos que vieram antes. Ao contrário, quero um espirito crítico, que pondere o que preservar e o que inovar. Acredito nessa filosofia, em que inovar “ significa estar aberto às surpresas e às dádivas do futuro, mas também significa manter o futuro em contato com o passado.”

Referências

Bringhurst, Robert. 2018. Elementos Do Estilo Tipográfico (Versão 4.0). Ubu Editora.

DeVault, Drew. 2018. “Git Is Already Federated & Decentralized.” July 23. https://drewdevault.com/2018/07/23/Git-is-already-distributed.html.

Marcus, Gary. 2018. “Why Robot Brains Need Symbols. Nautilus.” December

  1. http://nautil.us/issue/67/reboot/why-robot-brains-need-symbols.

Tschichold, Jan. 2007. A Forma Do Livro: Ensaios Sobre Tipografia E Estética Do Livro. Translated by José Laurênio de Melo. Ateliê Editorial.

blockchain numa situação em que uma simples base de dados bastaria

  1. Basta olhar para os tantos casos em que alguém quer aplicar 

A Tipografia do Grito

Esta é uma exploração do conceito de Grito Escrito, ou, ainda, da Tipografia do Grito. É uma obra magnifica provocação que leva à pergunta: “tipograficamente, qual a maneira correta de se gritar em texto?”

Existem muitas possíveis respostas para essa pergunta. Entre elas, “a pergunta não faz sentido, pois não há maneira correta”, ou “qual é o seu problema?”, ou ainda “a terceira” — embora essa última só faça sentido para gritos mais expressivos do que dois caractéres.

É uma pergunta relevante, na medida em que você se preocupe com tipografia (o que provavelmente não é verdade, mas eu sim me preocupo, muito obrigado), e na medida em que gritar é uma ação muitas vezes necessária na Internet.

“Mas eu posso gravar um audio no WhatsApp gritando”, me respondem. Sim, pode. Mas em honra à tradição escrita da comunicação humana, a questão da Tipografia do Grito é um problema que deve ser discutido. Numa época em que audios, InstaStories e afins estão destruíndo a nossa capacidade comunicativa, acredito numa retomada da tradição dos grandes tipógrafos — na forma de gritos.

Gritos 1

A primeira iteração da ideia é um “projeto” antigo meu, escrito em Racket, usando a biblioteca Pict (que fique registrado que eu não sei programar em Racket).


Primeiro algumas definições inclusas a título de esclarecimento.

(define textColor (list 0 0 0))
(define rectangleColor (list 220 220 220))
(define backgroundColor (list 200 200 200))

Este é o código que gera, efetivamente, os gritos. A primeira função repete um caractere, e a segunda gera o i-ésimo grito dos gritos de (arbitrariamente decididos) cinco caracteres.

(define repeat
  (lambda (n s)
    (if (= 0 n) ""
        (string-append s
                       (repeat (- n 1) s)))))
(define makeAH
  (lambda (i)
    (colorize (text (string-append (repeat i "A")
                                   (repeat (- 5 i) "H"))
                    (cons 'bold 'modern)
                    25)
              textColor)))

E finalmente, a imagem final é definida; com direito a bordas cinzas e deprimentes.

(define final
  (cc-superimpose (colorize (filled-rectangle 500 500)
                            backgroundColor)
                  (cc-superimpose (colorize (filled-rectangle 100 125)
                                            rectangleColor)
                                  (apply vc-append (map makeAH (list 1 2 3 4))))))

Note como a presença de números mágicos no código o torna feio. Porque merda tem uma (list 1 2 3 4) que poderia ser facilmente abstraída? De qualquer forma, não modifiquei o código por seu valor histórico pessoal; e como um testemunho à minha antiga incompetência.

A final, existe código (omitido) para gerar um .png.

O resultado foi esse:

screams

Gritos 2

Mais recentemente decidi refazer esse projeto. Contando com a mesma incapacidade mais experiência e conhecimento de programação, imaginei que seria capaz de programá-lo melhor e mais elegante.

Continua ruim.


Este é o código que gera as linhas de texto

screams :: Int -> [String]
screams n = map (scream n) [1..(n-1)]

scream :: Int -> Int -> String
scream n m = replicate m 'A' ++ replicate (n-m) 'H'

O resto do programa serve para transformar as linhas de texto em código de SVG, e para lidar com opções de linha de comando (n e o tamanho da fonte). Por algum senso de vergonha, não vou reproduzí-lo aqui. Mas o resultado para n = 80 é

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH 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Citações de profundidade arbitrária

As questões que deram origem a este post foram bem ilustradas em uma pergunta do StackExchange:

Tenho uma pergunta. Se estou citando uma citação que já tem colchetes, mas quero adicionar colchetes porque há erros de ortografia e então quero adicionar “[sic]”. Simplesmente adiciono isso à citação ou mudo os colchetes na citação?1

Relembrando, a fim de esclarecimento, que numa citação direta, caso se deseje fazer uma modificação, é necessário indica-la usando colchetes. Normalmente isso é feito com o propósito de clarificar algo a que foi feito referência antes no texto original, mas cuja menção foi omitida2.

Um ponto específico nas respostas me chamou atenção. Rand al’Thor pontuou:

Você poderia usar chaves: {sic}. Já vi isso feito; tem a vantagem de não ser confundível com os colchedes que já estão lá, mas você não precisa mudar nada na citação.3

Sven Yargs respondeu, que, apesar disso, a solução “não estabelece além de qualquer dúvida que as chaves são suas e que os colchetes são do autor original. Pra fazer isso, você teria que indicar em alguma nota em algum lugar que as chaves são suas e os colchetes do autor original”.4

Além disso, comenta:

E se você adotar as chaves nesse momento, o que acontece quando você for usar outra citação em bloco que não já tinha colchetes do autor mas que (como a primeira citação em bloco) tem erros de ortografia dos quais você quer se distanciar? Você novamente usa as chaves, apesar de que a citação original não tenha colchetes; ou você troca pelos colchetes e adiciona uma nova nota, dessa vez informando os leitores de que os colchetes são seus? 5

Minha conclusão dessa resposta é que, de fato, não existe uma solução bem estabelecida para este problema. Tanto é que a sugestão seguinte do mesmo usuário é de indicar entre parenteses no final de uma citação que os erros de ortografia de fato estão no original. Ou seja, a solução é desistir de uma indicação tipográfica e interromper o texto para esclarecer esse aspecto da citação por extenso.

Isso é uma solução, mas definitivamente não é elegante. Afinal, já temos convenções tipográficas para indicar citações dentro de citações, porque não poderiamos ter uma que lidasse com modificações delas?


Na minha megalomania matemática de querer generalizar tudo, ao máximo, tive algumas ideias:

Identificação absoluta

Como o problema se trata de identificar claramente o autor de uma modificação, pensei em usar o mesmo mecanismo que já usamos desde muito tempo: uma assinatura. A ideia se trata de adicionar aos colchetes como subscrito um identificador único (dentro de um mesmo texto) associado a cada fonte. Usando o mesmo exemplo da resposta no StackExchange, ficaria assim:

Apple pize are my flavorite [sic]J, not because their combination of fruit and cinnamon, of tart and sweet and spicy delivers a perfect medley of olfactory and gustatory delight, but because—as Travis Bickle makes clear in Taxi Driver [1976, directed by Martin Scorsese]A — they invite (and indeed insist upon) a temporary resolution of the perennial philosophical choice between cheese and no cheese.

Onde, claramente, “J” indicaria minha adição, e “A” a adição do autor original (o ideal seria substituir pelas iniciais do autor; como não as conheço, usei “A”).

Identificação relativa

Uma segunda solução faz uso das convenções que já existem no uso de aspas. Uma citação dentro de outra, em geral, usa outro símbolo que a exterior. Por exemplo:

“Como um sábio chinês já dizia: ‘passe o sal, por favor’”.

No caso das adições com colchetes, então, usariamos diversos níveis de colchetes. Os dois primeiros seriam “[]” e “[[]]”. Então, novamente usando o exemplo anterior:

Apple pize are my flavorite [[sic]], not because their combination of fruit and cinnamon, of tart and sweet and spicy delivers a perfect medley of olfactory and gustatory delight, but because—as Travis Bickle makes clear in Taxi Driver [1976, directed by Martin Scorsese] — they invite (and indeed insist upon) a temporary resolution of the perennial philosophical choice between cheese and no cheese.


Porque alguém usaria essas soluções? Em primeiro lugar, porque pode. Afinal, qualquer edito de texto hoje em dia é capaz de introduzir subscritos ou caractéres especiais. Em segundo lugar, porque as duas soluções oferecem uma experiência de leitura mais flúida que comentários colocados em parênteses. No caso anterior, em particular, provavelmente a maior parte dos leitores nem perceberia os erros até que apontados. Um parenteses no final da citações os induziria a voltar e procurar os erros — o que interrompe o fluxo da leitura.

Além disso, são soluções elegantes. Um texto que as utilize ganha pontos de estilo (na minha opinião).

É claro que, como não são soluções difundidas, seria necessário indicar em alguma nota a convenção tipográfica. Mas são intuitivas, e o leitor logo se acostumaria. Além disso, não é possível difundir soluções se ninguém está disposto a discutí-las.

  1. No original: “I have a question. If I am quoting a quote which has square brackets in it already, but I want to add square brackets because there are spelling mistakes so I want to add “[sic]”. Do I just add it to the quote or do I change the square brackets in the quote?” 

  2. Uma explicação mais detalhada: https://pt.wikipedia.org/wiki/Colchete_(s%C3%ADmbolo)#Emprego_dos_Colchetes 

  3. No original: “You could use curly brackets: {sic}. I’ve seen this done; it has the advantage of not being mixable up with the square brackets already there, but you don’t need to change anything in the quote.” 

  4. No original: “doesn’t establish beyond the shadow of a doubt that the curly brackets are yours and the square brackets are the original author’s. To accomplish that, you’d have to point out in a note somewhere that the curly brackets are yours and the square brackets are the original author’s.” 

  5. No original: “And if you adopt the curly bracket treatment this time, what happens when you have another block quote later on that doesn’t have built-in square brackets from the author but that (like the first block quote) does have typos that you want to distance yourself from? Do you again put sic in curly brackets, even though the original block quote has no square brackets; or do you switch to square brackets and add another note, this time letting readers know that the square brackets are yours?”